Defaults de IA são política não assinada
Sua empresa tem uma política de IA que nunca passou pelo jurídico, pela diretoria nem pelo compliance. Ela está ativa agora, tomando decisões em tempo real.
Quando você implanta qualquer sistema de IA, alguém define os parâmetros que determinam como ele vai se comportar: qual score mínimo aciona uma ação, qual nível de risco é considerado aceitável, o que sobe para revisão humana e o que passa direto.
Essas são decisões técnicas. Mas na prática, elas funcionam como política corporativa. Governam mais decisões por dia do que qualquer documento aprovado em reunião de diretoria.
O problema é que foram tomadas pelo arquiteto de sistemas, pelo fornecedor ou pela pessoa mais técnica do projeto - dentro do prazo, sob pressão de entrega, sem aprovação formal e sem registro das alternativas que foram consideradas e descartadas.
Esse é o ponto cego da governança de IA na maioria das empresas.
O foco vai todo para políticas de uso aceitável, termos de privacidade e conformidade com LGPD. Os parâmetros que definem como a IA decide ficam intocados desde o go-live.
Um limiar de score calibrado para um perfil de cliente que já mudou. Um threshold de risco definido com base em dados do projeto do ano passado. Um comportamento padrão que ninguém questiona porque 'sempre foi assim desde o lançamento'.
Sua empresa revisa contratos todo ano. Ajusta metas por trimestre. Atualiza o organograma quando o negócio muda.
Quando foi a última vez que revisou os parâmetros que definem como a IA decide?
Me conta nos comentários: tem algum sistema de IA rodando na sua empresa cujos defaults de decisão você não sabe quem definiu, quando ou por quê?
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