O gap de seguro que a IA criou
O seu seguro cobre falha técnica. Cobre erro humano. Mas o agente de IA que você colocou em produção não é nenhum dos dois.
Sistemas agênticos tomam decisões em sequência. Cada passo está dentro dos parâmetros configurados. Nenhuma ação isolada seria reprovada numa auditoria interna.
O problema aparece no encadeamento: uma série de decisões individualmente "corretas" produz um resultado que ninguém antecipou e que não cabe na taxonomia da sua apólice. O sistema operou exatamente como foi programado, nenhuma pessoa tomou a decisão que gerou o dano, mas o dano aconteceu de qualquer forma.
Isso cria um problema de classificação que a maioria das apólices empresariais não consegue resolver. A categoria "falha técnica" exige que o sistema tenha operado fora do esperado. A categoria "erro humano" exige que alguém tenha clicado no lugar errado. O agente fez as duas coisas certas e gerou o resultado errado: um caso que ficou de fora quando o contrato foi redigido.
E aqui está o ponto que poucos discutem abertamente: o gap de cobertura não foi criado no dia em que o dano aconteceu. Foi criado no dia em que o sistema entrou em produção.
Seu jurídico, seu corretor e a sua apólice de responsabilidade civil estavam calibrados para um modelo de risco que não tem mais a forma que eles conhecem.
Toda empresa que está levando agentes autônomos para produção precisa ter essa conversa antes do go-live: quem responde legalmente quando o resultado for gerado por uma sequência de decisões autônomas que funcionaram exatamente como planejado?
A resposta honesta, na maioria das empresas hoje, ainda é silêncio.
Você já teve essa conversa com jurídico e seguradoras antes de subir um agente para produção? Me conta nos comentários.
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