Governança de IA começa no orçamento
Tem verba para construir o sistema de IA. Não tem verba para governá-lo.
Essa é a situação em boa parte das empresas que conheço.
O projeto foi aprovado. Teve reunião de kickoff, squad dedicado, integração com a stack, entrega em produção.
Aí o projeto fechou. A verba foi encerrada. E o sistema ficou rodando.
Sem orçamento para curadoria contínua. Sem ciclo de auditoria de lógica. Sem revisão periódica de escopo. Sem dono com recurso para ser dono de verdade.
O que acontece quando ninguém tem orçamento para cuidar de algo? A responsabilidade some. Não por negligência de nenhuma pessoa em específico: por design financeiro.
Ninguém voluntariamente assume ser dono de um sistema quando não tem tempo, verba nem mandato para isso. É comportamento racional, não descuido.
O resultado prático é que o controle migra para o próprio sistema. Ele segue rodando com a lógica configurada no dia do deploy. O mundo muda, o negócio muda, os dados mudam. O sistema não sabe disso.
E a empresa acha que tem governança de IA porque tem um sistema de IA funcionando.
Há um ponto que costumo levantar com clientes: a decisão de não orçar governança não é omissão. É uma decisão deliberada de terceirizar o controle para a máquina. Só que ninguém assina embaixo com esse nome.
O problema de governança de IA não começa no organograma. Começa no orçamento.
Me conta nos comentários: na sua empresa, quem é o dono do sistema de IA depois que o projeto é entregue? Tem recurso alocado para isso, ou é mais uma responsabilidade que flutua sem endereço?
Quer aplicar isso na sua empresa?
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