A rede de confiança que você desativou
Você não perdeu a capacidade de decidir. Perdeu as pessoas que te ajudavam a fazer isso.
Todo líder tem uma rede informal de confiança. Não aparece em nenhum organograma, mas funciona: o CFO de outra empresa que você cruza no evento trimestral, o mentor disponível pra um café quando o bicho pega, o sócio que conhece o contexto sem você precisar explicar do zero.
Antes de uma decisão grande, você aciona essa rede. Não pra transferir responsabilidade, mas pra testar o raciocínio com alguém que você respeita.
A IA mudou isso de um jeito silencioso. Em vez de substituir essas pessoas, ela eliminou o motivo de entrar em contato com elas. A resposta da IA chega em 10 segundos. Seu colega de confiança demora um dia pra responder, precisa de contexto, tem a própria agenda. Então você foi deixando de ligar. Sem nenhuma decisão consciente, o hábito foi secando.
O resultado é assimétrico: as decisões ficaram mais rápidas, a infraestrutura de confiança interpessoal ficou mais fraca.
E o custo disso não aparece no dia a dia. Aparece quando o modelo erra com confiança em algo que realmente importa, e você percebe que não tem mais pra quem ligar pra checar. A rede que servia como segundo par de olhos foi desativada por desuso, não por descaso. Por conveniência acumulada.
Quando o modelo não souber responder, a rede que substituía essa certeza já não existe mais.
Salva esse post. E me conta nos comentários: quando foi a última vez que você consultou alguém de confiança, de verdade, antes de uma decisão relevante?
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